Do Quantum ao Plasma. A próxima geração do Revit?

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Autor: Fabio Sato | BIM manager na Filippon Engenharia, consultor BIM no The BIM Team, content creator at DiRoots, professor no IPOG

Este artigo se baseia num artigo publicado na AEC magazine, edição de março/abril. As opiniões expressas no artigo são do autor, Martyn Day. Os termos adotados na tradução são uma interpretação minha, sem a pretensão de estabelecer nenhuma nomenclatura padrão ou oficial.


Em 2016, Amar Hanspal, um dos dois vice-presidentes da Autodesk anunciou que a empresa estava desenvolvendo uma nova tecnologia para o desenvolvimento de projetos colaborativos. Este anuncio gerou uma preocupação entre alguns usuários do Revit, uma ferramenta com mais de 20 anos de idade, que vem sofrendo constantes atualizações, porém com limitações como utilizar somente um núcleo do processador para a funções principais, um banco de dados que cresce muito rápido em tamanho, e um fluxo de controle gráfico que é mais difícil de acelerar num mundo que é cada vez mais voltado para uso de visualizações tridimensionais.

Como a Autodesk tem investido em soluções na nuvem, a maioria das ferramentas tem que armazenar dados na mesma para se beneficiar da gama crescente de serviços, como gerenciamento de documentos, análises, colaboração, assim como uma crescente variedade de aplicativos desenvolvidos por terceiros (ex. BIM 360).

Os produtos da Autodesk não são tão eficientes na troca de informações entre si, como seria de se esperar, de produtos de uma mesma empresa. Olhando para o futuro, num mundo voltado para a fabricação digital, existem problemas básicos com ferramentas que foram desenvolvidas para gerar representações bidimensionais, pois robôs e CNCs vão necessitar de modelos em escala real.

O Quantum, conforme foi descrito, seria uma solução para muitos desses desafios na evolução do BIM. Foi uma decisão admirável em rever a indústria como um todo e perceber que um único programa não iria mapear os atuais fluxos de trabalho federados, se particionam dados, e que são basicamente focados em arquivos e com isso prejudicam o fluxo de trabalho.

A Autodesk optou por visão mais centrada em dados que pudesse incluir os fluxos de trabalhos atuais, aliviar um pouco a demanda sobre o Revit, permitir conectar times e atender a demanda do uso de uma multiplicidade de programas utilizados pelas equipes de projeto.

A fabricação digital está chegando no setor da construção e não somente em processos sofisticados. Fábricas estão sendo construídas por toda parte, para preparar, modularizar, pré-fabricar, e utilizar métodos automatizados de fabricação digital. Dados BIM, em escalas 1:100 ou 1:50 não atendem esse uso, não sem haver um remodelamento num projeto mecânico auxiliado por computador (MCAD) como o Inventor ou Solidworks.

Ao acrescentar um alto nível de detalhe nos modelos BIM, o banco de dados cresce e rapidamente dificultam o gerenciamento. Novamente, com o Quantum, uma nova solução foi apresentada, onde os modelos BIM seriam entregues em conjuntos de componentes para serem fabricados por sistemas CAD melhor adaptados. Isso significa que cada profissional envolvido no projeto teria uma visão diferente do mesmo modelo, mas todos conectados através de uma plataforma comum. Também temos a possibilidade de criar incrementar o nível de detalhe geométrico, em tempo real, permitindo que os times possam observar o modelo em vários níveis de detalhe.

Era um mundo completamente novo, que iria alterar a forma que o BIM afetaria cada participante de um projeto federado da construção. Porém na sequência, Hanspal deixou a Autodesk depois da nomeação de Andrew Anaganost como CEO, e novas informações sobre o Quantum não foram divulgadas.

Avançando para o Autodesk University de 2018, em conversas nos corredores do evento, a AEC magazine obteve novas informações, de que o Quantum tinha sobrevivido, mas foi vítima de seu próprio sucesso. A tecnologia se provou tão útil que a companhia decidiu expandir o olhar para todos os produtos e derivados para verificar o potencial de uso, pausando o processo para trazer mais interessados no desenvolvimento da plataforma, o resultado é o projeto Plasma.


Awe inspirador


No início do ano, a AEC magazine teve a oportunidade de conversar com Jim Awe, chefe arquiteto de software da Autodesk, sobre a troca de nome e visão da companhia sobre o Plasma e suas capacidades.

Awe explicou que a conceito do Quantum e a execução de fluxos de trabalho automatizadas de maneira confiável ganharam força. Conversando com os clientes, eles deram apoio total à ideia, e isso foi crucial para levar adiante o projeto de colaboração. Então, quando conversaram com outras pessoas da empresa, descobriram que a equipe de manufatura enfrentava os mesmos problemas.

A Autodesk, tradicionalmente é uma empresa voltada para projetos, e o objetivo da maioria dos produtos, como o Revit, é gerar documentos executivos e alguém se encarregará de convertê-los em realidade. Acontece que a manufatura tem o mesmo problema, criam o projeto completo e depois tem que verificar quais ferramentas do chão de fábrica serão utilizados para criar cada parte da montagem. Ambos faziam a mesma coisa, tem que separar o modelo, dividir entre diversas pessoas que tem que descobrir como executar a parte deles no processo.

Foi uma mudança de estratégia. Projetar algo não é o suficiente, você tem que ser capaz de torná-lo realidade, e para tanto, você precisa de um fluxo de trabalho durante todo o ciclo de projeto. Esta tecnologia deveria fazer parte da plataforma, tornando o esforço muito maior e mais elaborado. Estão levando o tempo necessário para conseguir fazer certo por causa da sua importância.

Foi perguntado a Awe como a plataforma trabalha, a resposta foi que a melhor analogia que descreveria o que a Autodesk tenta fazer é observar o que a Apple fez com o iOS. A Apple tem uma plataforma, na qual você pode criar aplicativos e conectá-los a serviços bem conhecidos do sistema iOS e construir um fluxo de trabalho móvel. O aplicativo entrega a localização do GPS para mapas, e entrega fotos que são integrados em outros fluxos, todos no seu dispositivo móvel. Necessitam integrar as peças o suficiente para que ao mover os dados do Revit para a fase de fabricação, você está movendo os dados apropriados e a pessoa que os recebe sabe onde localizá-los e absorvê-los em seu fluxo de trabalho.