Scrum & BIM

Na indústria da construção, um dos maiores desafios é lidar com o imprevisível. É difícil estabelecer uma visão estável e de longo prazo que defina todos os requisitos para o ciclo de vida completo de um projeto.

As alterações de projeto (em todas as fases) são frequentes, e isso gera uma quantidade considerável de retrabalho, excedentes de custos, atrasos no cronograma e redução da qualidade do produto. O que pode se resumir em um processo muito ineficiente.

Frequentemente, apontamos como vilão o fato de trabalhamos de maneira personalizada em cada projeto (cada projeto é um quebra-cabeças e cada quebra-cabeça exige uma solução diferente). Porém, anos atrás, o setor de desenvolvimento de software enfrentou o mesmo vilão (usar um processo de design e desenvolvimento de produtos com reutilização limitada e personalização constante de projetos e componentes, ou seja, um paralelismo óbvio, especialmente durante a fase de projeto) e encontrou uma solução: usar métodos de planejamento dinâmico, que permitem lidar com altos graus de imprevisibilidade. Esses métodos, são conhecidos como Agile.

Os métodos Agile, em vez de tentar prever riscos imprevisíveis, passam a abordar riscos como oportunidades de lucro. Portanto, a abordagem ágil é extremamente vantajosa quando se pensa em um ambiente turbulento. Para entender como o Agile pode se encaixar na indústria da construção, vamos examinar a lista de princípios que formam a base do Agile.


Indivíduos e interações sobre processos e ferramentas: a comunicação com o cliente e com a equipe é mais importante do que processos e ferramentas.

Software de trabalho sobre documentação abrangente: em vez de focar principalmente na documentação, a ênfase é transferida para as entregas práticas de um projeto.

Colaboração do cliente sobre negociação de contrato: o envolvimento do cliente é incentivado desde o início, e não apenas no momento do início e do final de um projeto.

Respondendo às mudanças seguindo um plano: em vez de temer altos custos com mudanças, o gerenciamento de mudanças é mais eficiente, facilitando a implementação das mudanças quando necessário.

O Scrum é um subconjunto do Agile e um framework popular, ele procede da noção de que os requisitos de um projeto às vezes podem ser ambíguos e surgirão com o tempo. Por exemplo, quando os clientes mudam de idéia (situação extremamente comum para quem já trabalhou em um projeto).

A unidade de medida básica do Scrum é o "Sprint". Sprints são esforços de curto prazo focados em atingir uma meta clara, com um 'produto' funcional que possa ser avaliado para determinar os sprints subsequentes. Para uma equipe de arquitetura, um sprint pode ser planejado com foco no projeto da fachada do edifício. Para uma equipe de estruturas, um sprint pode ser planejado com o foco no dimensionamento de determinada área de um prédio. Os sprints devem ser executados em períodos de curto prazo, como de 1 a 4 semanas, para manter a equipe focada em alcançar objetivos específicos.

Cada sprint é originado de uma lista de pendências, conhecida como backlog. Ou seja, uma lista de tarefas que precisam ser concluídas para atingir o objetivo do sprint. A ênfase do backlog deve estar no valor obtido com a conclusão da tarefa, levando em consideração a quantidade de esforço envolvido. Quando uma equipe executa um sprint, deve ser ponderado quanto de esforço será gasto, o valor agregado e os prazos restritos para a execução do sprint, essa combinação faz com que a equipe seja crítica quanto ao que está fazendo. Supondo que você esteja realizando a extração do quantitativo de reboco de uma fachada e, por alguma limitação de software ou de processo, ocorra um adicional de R$ 5.000,00 em uma obra cujo custo é de R$ 10.000.000,00, qual seria o valor agregado em corrigir esse erro? Ao pensar no esforço empregado em relação ao valor agregado, é uma correção que vale a pena?

A grande diferença do Scrum em relação aos métodos tradicionais reside nesse questionamento. No modelo tradicional pensa-se em um escopo fixo a ser entregue. Enquanto no Scrum o escopo que é entregue é “estimado”. Como assim estimado?

Além do backlog das Sprints, existe também o backlog do projeto (ou produto). Este backlog é uma lista contendo todas as funcionalidades desejadas para um produto e é extremamente dinâmica, itens podem ser acrescentados ao longo de todo projeto. Esses itens são priorizados e a partir da priorização deles é que se tem o planejamento das Sprints. O que significa são priorizados? Não necessariamente todos os itens serão atendidos, existem itens essenciais, importantes, desejáveis e aqueles de menor valor estratégico, que provavelmente não serão executados. Em outras palavras, o escopo é um elemento estimado e não fixado (como o tempo e o custo).


Pensando em um fluxo BIM, sabemos que os softwares são capazes de realizar extração de quantitativos de diversos elementos, sabemos também que isso não é automático em todos os casos e que exige um esforço significativo para que determinados elementos tenham a mesma precisão que outros. Ao considerar esses aspectos e os processos tradicionais de extração de quantitativos usando índices, dentro de um workflow de modelagem utilizando o mindset trazido pelo Scrum, determinadas modelagens e formas de extração, provavelmente, deixariam de ser executadas, devido a sua baixa priorização ao se considerar valor estratégico trazido vs. esforço empregado.

O Scrum, no final, sempre pensa no cliente e busca priorizar elementos que são fundamentais para este. Existem outras metodologias ágeis como o Kanban, XP, ASD ou FDD, e ainda existem metodologias híbridas, que combinam aspectos de metodologias ágeis com a metodologia tradicional. O que é importante compreender é que metodologias são como ferramentas, você deve utilizar o que melhor se encaixa dentro do seu contexto.

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