Entraves técnicos e dificuldades de uma implantação BIM

Atualizado: 23 de Mar de 2019

O maior desafio de uma implantação de novas tecnologias se dá em alterar a forma como engenheiros sêniors adotam novas práticas. Tais líderes de equipe possuem décadas de experiência com clientes, desenvolveram métodos próprios, possuem familiaridade com as ferramentas e procedimentos realizados, etc.



O desafio é unir, na transição CAD-BIM, a experiência desses profissionais com as novas capacidades que o BIM oferece, de forma a otimizar a produtividade da empresa (EASTMAN et al., 2011).

No BIM Handbook, Eastman et al. (2011) define algumas maneiras de solucionar esse obstáculo:


1. Unir jovens com conhecimento na tecnologia bim com profissionais experientes de forma a integrar a nova metodologia; 2. Visitar empresas que já fizeram a transição BIM, participar de seminários, congressos, etc; 3. Realizar treinamentos individuais semanalmente ou em cronograma similar; 4. Organizar treinamentos para as equipes de design em ambientes externos à empresa de forma descontraída.


O segundo maior desafio em qualquer firma é a mudança da composição de trabalho com respeito às habilidades técnicas. Devido ao fato de que a documentação de projetos é automatizada com o BIM, engenheiros juniors e estagiários são cada vez menos requisitados, visto que o trabalho manual é feito automaticamente através de softwares bim. Dessa forma, é requerido mais dedicação por engenheiros e arquitetos sêniors nas fases iniciais de concepção e design, como podemos observar na tabela 1.


Calma, estagiários. Isso não quer dizer que vocês serão demitidos, mas vocês terão que desenvolver mais competências técnicas para realizar trabalhos mais produtivos. Já se foi o tempo que os estagiários ficavam apenas limpando pranchas. Por que não usar a força de trabalho que temos para desenvolver a criatividade projetual e deixar o computador fazer o trabalho pesado, certo empresários?


Sabe-se que a prática, o BIM traz inúmeros benefícios nas fases de design e construção. Entretanto, o uso inteligente da metodologia provoca mudanças significativas nos relacionamentos, comunicação e contratos legais. Enquanto o BIM oferece novos métodos de colaboração entre os envolvidos, surge com isso novos desafios na formação de equipes efetivas (EASTMAN et al., 2011).


Se o arquiteto e o engenheiro estrutural, por exemplo, usam plataformas diferentes na concepção e detalhamento dos seus documentos, será necessária a implantação de ferramentas BIM que unifique os modelos (Navisworks, Solibri). Essa necessidade pode aumentar os riscos do projeto, causar custos adicionais e aumentar a complexidade (EASTMAN et al., 2011).


Ainda, segundo Eastman et al. (2011), embora a elaboração de um modelo BIM possa custar mais que um desenho CAD, a escolha daquele é justificada pelas vantagens subsequentes atribuídas, como o planejamento de construção e design detalhado para mecânica, hidrossanitário, elétrica e estrutura, revisões de design, análises, simulações, etc.


Além de aspectos comunicativos, existem desafios à respeito da incumbência legal da gestão, visto que a interoperabilidade traz questionamentos sobre quem será o responsável por cada tarefa, já que todos os envolvidos trabalham em integração. Dessa forma, quem pagará pelo modelo? Quem será o responsável pela precisão, análise e compatibilização? Esses problemas são encontrados na maioria das implantações BIM, mas podem ser solucionados com o uso dos “Manuais de Escopo de Projeto” e melhores definições contratuais.


Mesmo com tais entraves, à medida que investidores e proprietários de empreendimentos começam a aprender sobre os benefícios do BIM para auxiliar nas operações, mnutenção e renovação, a metodologia se torna cada vez mais exigida (EASTMAN et al., 2011).


A maior mudança que empresas se deparam com a implantação da tecnologia BIM é saber usar um modelo compartilhado, o building model, durante as fases de concepção e design; e um conjunto de modelos durante as etapas de construção e fabricação. Essa mudança de metodologia necessita tempo e conhecimento para a familiaridade com o processo (EASTMAN et al., 2011).


A substituição de uma metodologia CAD 2D ou 3D pelo BIM envolve aspectos bem além de apenas aquisição de software, hardware e treinamento. É necessária uma mudança dos aspectos gerais da empresa, além de conhecimento da tecnologia e o correto desenvolvimento de um plano de implantação prévio (EASTMAN et al., 2011).


De acordo com Leonardo Manzione (2016), em estudo realizado por seu orientando Willian Santos, são apontados alguns fatores pessoais, tecnológicos e de gestão como dificultadores da implementação BIM. Veja a matéria original clicando aqui (Site da coordenar).


São eles:

• FATORES PESSOAS:
1. Falta de tempo e planejamento para a aquisição do conhecimento; 2. Falta de consultor técnico (cultura BIM inexistente); 3. Resistencia à mudanças pela equipe (em geral pelos funcionários mais experientes); 4. Dificuldade em trabalhar em equipe simultaneamente; 5. Falta de trabalho em parceria / relação com complementares/ relações conflitantes e não cooperativas. Conflito entre as diversas disciplinas, risco na produtividade, retrabalhos e perda de prazos; 6. Falta de conhecimento dos princípios enxutos; 7. Medo do desconhecido x falta de interesse pela nova tecnologia; 8. Falta de conhecimento do que é BIM; 9. Fixação em cultura operacional própria. 10. Falta de conhecimento da estratégia do negócio e competitividade; 11. Falta de clareza nos itens de fases e etapas do projeto; 12. Falta de avaliação no início e no fim de cada etapa, deixando pendências para fase seguinte; 13. Falta de conhecimento dos softwares adequados às atividades necessárias; 14. Escassez de mão de obra especializada, alta rotatividade de cooperadores, estagiários, arquitetos, engenheiros; 15. Remuneração de profissionais qualificados: são necessárias mais horas de profissionais de alta qualificação nas primeiras etapas de