O guia definitivo sobre paredes no Revit

Atualizado: 24 de Mar de 2019


Modelar paredes no programa Revit Architecture parece uma tarefa muito simples em se tratando de uma plataforma BIM. A substituição de linhas, arcos e círculos da representação do AutoCAD por objetos paramétricos 3D deu aos profissionais uma maior flexibilidade e agilidade em seus projetos. Entretanto, começam a surgir dúvidas sobre a melhor forma de se modelar cada parede. Alguns usuários, buscando agilidade, acabam por escolher as paredes cebolas (aquelas formadas por várias camadas sobrepostas individualmente), outros trabalham apenas com as paredes compostas (várias camadas agrupadas) e há ainda, aqueles que não abrem mão de paredes empilhadas (uma em cima da outra). Nesse post, vamos entender cada estilo e desvendar os pontos positivos e negativos de cada fluxo de trabalho.


Tipos de paredes no Revit:


Antes de entender cada tipo de parede, é importante saber qual uso do BIM será utilizado para aquele modelo. Você terá um workflow diferente se estiver modelando para orçamento ou para um projeto de autoria (Arquitetônico).

“-Como assim, Artur?”.


Simples! Ao usar o Revit para fazer a modelagem de um projeto arquitetônico, nem sempre o usuário está preocupado com a modelagem do sistema construtivo e equipamentos. O arquiteto poderá gastar mais tempo nas configurações de materiais realísticos pensando na renderização e apresentação do projeto. O que não é necessariamente verdade para o engenheiro de custos, que pode modelar um revestimento cerâmico de piso utilizando o comando forro/ceiling acima da laje estrutural (é bem mais rápido modelar dessa forma e o programa dá exatamente a área necessária para o orçamentista calcular o revestimento. Entretanto, não é correto em termos de interoperabilidade e outros usos do BIM).



Então existe uma receita de bolo?


Não! O que existem são boas práticas. Como mencionei acima, dependendo do uso do BIM que será utilizado o workflow poderá mudar consideravelmente. Eis a necessidade do BIM Manager para gerir esses processos. Com o tempo, cada usuário desenvolverá seus truques e artifícios para ganhar velocidade no percusso. É por isso que normas e guias são necessários para evitar a criação de modelos grotescos. E é exatamente aqui que entram as paredes cebolas, compostas e empilhadas. Nenhuma é proibida, mas precisamos entender as suas limitações antes de criticá-las ou louvá-las.


Comentário do autor: "Eu uso uma combinação das três, dependendo do projeto e objetivo final. As compostas são ótimas para concepção; as cebolas são ótimas para pequenos projetos; já as empilhadas, são as melhores para orçamento. No geral, eu invisto mais tempo nas empilhadas já que construir virtualmente não é só modelar paredes genéricas.

Vamos entender isso melhor?"


1) Paredes Compostas


“Assim como telhados, os pisos e forros podem consistir de múltiplas camadas horizontais. Já as paredes podem ser constituidas de mais de uma camada ou região vertical. (alvenaria, chapisco, massa única, massa acrílica/corrida, pintura, etc).


A posição, espessura e material para cada camada e região são definidas através das propriedades de tipo da parede usando a caixa de diálogo > Editar montagem.



É importante notar também que para cada camada devemos atribuir uma função com valores entre 1-5. Quanto menor o valor, maior é o seu grau de hierarquia com relação a outros elementos. Por exemplo: a função Estrutura [1] tem maior hierarquia que a função Substrato [2]. Isso quer dizer que em uma interseção de uma parede com um piso, as camadas com função de Acabamento [5] e Acabamento [4] do piso serão sobrepostas pelas camadas de acabamento e de estrutura da parede visto que elas possuem maior hierarquia. Veja a imagem abaixo para entender melhor esse conceito. </